terça-feira, 28 de julho de 2009

Mercado GLS e a capacitação empresarial







Foto do site Gay Media Group - grupo formado por designers, programadores e maketeiros que desenvolvem web sites para empresas que atuam no segmento GLS nos Estados Unidos.




O mercado GLS nunca esteve tão em alta em rodas de discussões, teses e dissertações de mestrado, palestras e outros eventos que vem acontecendo nos últimos anos. Empresas grandes têm mostrado preocupação em atender de maneira mais direta e precisa este nicho de mercado no país. Grupos gays dentro de empresas já são uma realidade, exemplo da IBM, praticamente uma das precursoras no Brasil em aceitar, respeitar e promover visibilidade de seus funcionários gays.

Confira as reportagens:

IBM cria site interno para gays: aprendiz.uol.com.br

Cliente gay, executivo idem : epocanegocios.globo.com

Mas o segmento destinado ao publico GLS no Brasil é relativamente novo, e tem muito a evoluir. Não podemos comparar o mercado brasileiro gay ao de outros países, como por exemplo o Norte Americano, uma dos grandes referências neste nicho, que recebe investimentos e pesquisas a um bom tempo.



Foto do Blog Viajandaun - Campanha publicitária do site NYCgo de New York feita para atrair turistas gls e marcar as comemorações do 40º aniversario da revolta de Stonewall (1969), que deu origem aos movimentos reconhecidos em defesa dos direitos dos homossexuais.






A partir do momento que a sociedade volta seus olhos as consideradas “minorias sexuais”, é porque sua visibilidade vem alcançando sucesso, passando a tornar-se um assunto normalmente discutido nos diversos meios de comunicação, o que deveria ter acontecido a um bom tempo atrás e com mais naturalidade. Desejos sexuais e identidades de gênero não tornam uma pessoa, ou um grupo de pessoas diferentes ou anormais.

Obs: venho a discordar do uso do termo "Minorias Sexuais" pelo menos no Brasil, pelo simples fato de não existir um levantamento preciso em números do tamanho da comunidade LGBT.

Empresas começam a voltar seus olhos, estudos e investimentos para este mercado, que têm grande perspectiva de crescimento, atingindo consumidores exigentes, bem informados e que pagam bem por um bom produto ou serviço, fidelizando desta maneira qualquer marca que consiga comunicar-se diretamente com ele, atendendo a suas necessidades e desejos.

Na verdade o grande problema enfrentado é a falta de informação a respeito do mercado GLS e o comportamento de consumo diferenciado por nichos entre consumidores LGBT. Entender e afirmar que gays são todos iguais, é praticamente o maior erro a ser cometido, afinal todo e qualquer ser humano pensa e age de maneira diferente, cuja aproximação de duas ou mais pessoas ocorre através de comportamentos e ideais distintos, mas que ainda contenham sua individualidade.



A capital pernambucana torna-se um destino gay friendly aderindo à campanha Pernambuco simpatiza com você, lançada pelo Recife Convention & Visitors Bureau. Segundo o presidente do Recife CVB e da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), José Otávio Meira Lins, Recife é o principal destino do Nordeste para esta faixa de público, que chega a registrar gastos 30% superiores aos realizados pelos clientes Heterossexuais”. Pelo site oglobo.globo.com.

Veja a matéria Recife tem campanha gay friendly do site oglobo completa aqui.


Entender os diferentes comportamentos individuais, e quais os grupos comportamentais existentes e seus interesses em comum irão garantir que a comunicação de sua empresa/produto com o público escolhido seja de mais sucesso. O sucesso total não é garantido logo no começo, afinal existem diversos outros elementos que influenciam, e somente com o tempo e maturidade do mesmo se alcança o sucesso dentro do mercado.

Outro fator de risco ao lidar com este segmento é achar que o consumidor GLS é mais rico, o que é um grande engano. O que garante a este consumidor uma liberdade para gastos maiores é o fato de muitas vezes não ter filhos. Então, de uma maneira geral é um público que pode gastar mais, fazendo questão de um produto/serviço que tenha uma boa relação custo benefício, e em grande parte gostam de cultura e informação, tornando-os mais exigentes.

Vale ressaltar que existem vários casos de gays e lésbicas formando novas famílias, porém ainda não é uma realidade aos olhos da constituição brasileira, devido a suas leis e ao preconceito que ainda reina no governo e principalmente dentro do senado. No Brasil já existem estudos comprovando a formação detas novas familias, compostas por casais do mesmo sexo, mas que ainda não obtem de uma união civil reconhecida pelo governo. A adoção entre casais do mesmo sexo também não é aceita no país, por mais comum que sejam estas ações por aqui.




G NetWork - site de Buenos Aires com informações sobre feiras, palestras e profissionais orientados ao segmento GLBT.



Voltando ao conceito e estudo de mercado; independente da orientação sexual e da identidade de gênero, é preciso pensar como o cliente comporta-se no dia-a-dia, o que faz, o que compra, que marcas prefere, por que compra, dentre outras perguntas e informações que devem ser absorvidas para entender o estilo e padrão de vida deste consumidor.

Depois de analisada classe social, região aonde mora, que marcas consome, porquê consome, de que forma consome, dentre inúmeros outros fatores, é hora de fazer uma pesquisa de campo que revele de que forma as empresas das quais este indivíduo é cliente, relacionam-se com ele. Estas empresas reconhecem à existência de seus clientes GLS e sabem do que eles necessitam? E se sabem, comunicam-se de maneira positiva com os mesmo? Existe uma linguagem direcionada e específica? E quais os meios de comunicação necessários para atingir tal parcela de mercado?

Bureau de negócios GLS - site sobre o grupo que trabalha com consultoria de mercado e treinamento para empresas privadas e órgãos públicos focado no público GLS.


Recentemente ocorreu no Hotel Panamericano, na rua Augusta, região central de São Paulo, o Fórum ABRAT GLS (Associação Brasileira de Turismo para Gays, Lésbicas e simpatizantes). A reunião que discutiu quais são as ações de marketing a serem tomadas no mercado GLS, especificamente no segmento de turismo. O fórum fez parte da programação cultural do 13º mês do orgulho LGBT de São Paulo e aspectos interessantes foram levantados:

- Muitas empresas realmente não segmentam o mercado GLS, esquecendo seus diferentes nichos e particularidades existentes em cada grupo de consumidores.

- Outro fator levantado é a falta de conhecimento do estilo de vida, preferências e hábitos de consumo, que acarretam em negócios que não dão certo, por não oferecerem o que seus clientes realmente querem.

- A capacitação foi outro problema citado, onde poucos se preocupam em preparar funcionários de forma diferenciada à atender este público.

- Tornar a empresa Gay Friendly é outro passo para conquistar o mercado GLS sem esquecer os consumidores Heterossexuais. Para a pesquisadora Zita Johnson, o que faz uma empresa ser considerada gay friendly, são as políticas adotadas por ela, um bom exemplo é acrescentar gays e lésbicas em qualquer tipo de propaganda, não apenas nas campanhas publicitárias destinadas ao consumidor GLS. (Fonte: Greenfield Online, Inc. www.greenfieldcentral.com)

Confira as reportagens nos links abaixo:

O Poderoso Mercado Gay – por Lílian Cunha para o site ISTOÉ Dinheiro
Nova Postura Mundial de Atuação no Mercado GLS – por Zita Johnson para o site Gay Brasil
Confira também o livros da Editora Malagueta - livros e publicações para lésbicas.




Livro sobre o mercado GLS, pela editora Matrix.








Por Alexandre Ferreira Gaspar


2 comentários:

marcelo dalla disse...

Querido, o artigo está excelente. Sinto um grande potencial no blog, será um referencial de pesquisa para o tema que está se dedicando. Parabéns! bjo

marcelo dalla disse...

Dica de um blog gay pra vc conhecer : http://paulobraccini-filosofo.blogspot.com/

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